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Guia Casa e Cozinha

Como escolher um ar-condicionado: o que realmente importa

Analisamos 14.914 avaliações desta categoria. A reclamação mais cara não é sobre o aparelho funcionando: é sobre o que vem dentro da caixa.

Por Diogo Valentim · Publicado em 8 de setembro de 2026 · Atualizado em 8 de setembro de 2026

Ar-condicionado split inverter Electrolux branco instalado acima de janela

1. O custo que aparece na instalação

Esta é a reclamação mais cara desta categoria e ela não aparece em nenhum anúncio.

Um split sai de fábrica com carga de gás refrigerante suficiente para a tubulação padrão, que costuma ser de três a cinco metros. É por isso que o aparelho pode ser instalado direto, sem carga adicional. Só que parte das unidades chega vazia ou com gás insuficiente.

O comprador descobre isso com o técnico já dentro de casa, e completar a carga custa algumas centenas de reais pagas na hora, valor que ninguém orçou. Em alguns relatos o aparelho é instalado, não funciona, é desinstalado e volta para troca, e o custo de instalação e plotagem já pago se perde.

Dica peça ao instalador que meça a pressão do sistema antes de concluir o serviço e registre o valor por escrito ou em foto. Se a carga estiver baixa, você tem prova documentada para acionar a garantia do fabricante, e não vira uma discussão sobre quem foi o responsável.

Vale ainda conferir as duas caixas no recebimento. Condensadora e evaporadora chegam separadas, e amassados de transporte aparecem com frequência nesta categoria, inclusive em envios de loja oficial. Abrir as duas antes de agendar o instalador evita perder a visita.

2. Quantos BTUs

A conta é simples e quase sempre feita pelo preço em vez de pelo cômodo.

O ponto de partida usual é 600 BTUs por metro quadrado em ambiente residencial comum. A esse número se soma:

Um quarto de 12 m² com uma pessoa e sem sol direto fica perto de 9.000 BTUs. O mesmo quarto com sol da tarde e duas pessoas pede 12.000 BTUs.

Errar para baixo é o mais comum: o aparelho trabalha no máximo o tempo todo, gasta mais energia do que gastaria um maior e mesmo assim não alcança a temperatura. Errar para cima também tem custo: o aparelho atinge a temperatura rápido demais, desliga e não fica tempo suficiente ligado para desumidificar o ar, o que deixa o ambiente frio e abafado.

3. O barulho vem de fora

É o segundo assunto mais citado nas avaliações desta categoria e o mais mal compreendido na hora de comprar.

A unidade interna de um inverter é silenciosa. O ruído que incomoda vem da condensadora, a unidade externa, onde ficam o compressor e o ventilador grande. Esse som chega ao quarto pela janela, pela parede e pela laje.

O que torna esse ponto sério nesta coleta: em mais de um modelo, quando o comprador acionou a assistência técnica da marca por causa do barulho, a resposta foi que o nível de ruído é característica de série. Ou seja, não há reparo, não há troca e o aparelho permanece assim.

Atenção a decisão de onde instalar a condensadora é tão importante quanto a escolha do modelo, e ela costuma ser tomada pelo instalador em cinco segundos. Evite a parede logo abaixo ou ao lado da janela do quarto, e prefira uma face da casa que não seja a do vizinho, porque ruído de condensadora é uma das causas mais comuns de atrito em prédio.

4. Inverter e etiqueta de energia

O compressor inverter modula a rotação em vez de ligar e desligar. Isso significa menos consumo em uso contínuo, temperatura mais estável e partida mais suave. Praticamente todos os modelos atuais desta faixa são inverter, então isso deixou de ser diferencial e virou o padrão.

O que ainda diferencia é a etiqueta de eficiência energética do Inmetro, e aqui há uma armadilha. Vários aparelhos exibem várias etiquetas de países diferentes na mesma ficha, e é comum ver A em países vizinhos e C no Brasil para o mesmo produto. Isso não é erro: cada país mede com um método próprio.

A que importa para a sua conta de luz é a etiqueta brasileira. Vale procurá-la explicitamente na ficha, porque os anúncios costumam destacar a mais favorável.

5. Split ou portátil

O portátil resolve uma situação específica e cobra caro por isso.

A vantagem é real e não tem substituto: nada de furar parede, nada de instalador, nada de autorização do condomínio ou do proprietário. Em imóvel alugado, é a única opção viável.

O custo é físico. Um ar-condicionado funciona retirando calor de dentro e jogando fora. No split, o compressor, que é a peça que gera calor no processo, fica na unidade externa. No portátil, ele fica dentro do cômodo, e só o ar quente do duto sai pela janela. Parte do calor retirado volta para o ambiente.

O resultado que os relatos descrevem é consistente: mesmo com 12.000 BTUs declarados, o aparelho refresca em vez de gelar. Some a isso ruído alto, porque o compressor está no mesmo cômodo, e consumo elevado para o resultado entregue.

Se dá para instalar um split, ele faz outro trabalho pelo mesmo dinheiro.

A ordem de decisão

Comece reservando no orçamento o custo da instalação e uma possível recarga de gás, e exija a medição de pressão no dia. Calcule os BTUs pelo cômodo, não pelo preço. Decida onde a condensadora vai ficar antes de escolher o modelo, porque o ruído vem dela e nem sempre tem reparo. Confira a etiqueta brasileira de eficiência, ignorando as dos países vizinhos. E escolha portátil apenas se não for possível instalar um split.