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Guia Casa e Cozinha

Como escolher um depurador de cozinha: o que realmente importa

Analisamos 49.262 avaliações desta categoria. A reclamação mais repetida não descreve um defeito: descreve o funcionamento normal de um aparelho que o comprador achou que fosse outro.

Por Diogo Valentim · Publicado em 12 de setembro de 2026 · Atualizado em 12 de setembro de 2026

Depurador de cozinha Suggar Slim preto instalado na parede acima do fogão

1. A linha da ficha que decide tudo

A reclamação mais repetida desta categoria inteira é sempre a mesma frase: não suga. Ela aparece em modelos de marcas diferentes, faixas de preço diferentes e vazões declaradas diferentes. Na maior parte dos casos não descreve um defeito.

Existem dois aparelhos vendidos sob o mesmo balcão, e os anúncios usam as duas palavras no mesmo título:

O exaustor tem duto. Ele empurra o ar para fora da casa e leva junto o vapor, o calor e a gordura em suspensão. Isso funciona porque existe para onde mandar.

O depurador não tem duto. Ele puxa o ar, faz passar por um filtro de carvão ativado e devolve o mesmo ar para a cozinha. Reduz o cheiro. Não retira a gordura, não retira o calor e não faz o vapor sumir, porque o vapor não tem para onde ir.

Quem compra um depurador esperando o comportamento de um exaustor escreve depois que o aparelho não puxa nada. O aparelho está fazendo exatamente o que foi projetado para fazer.

Dica o campo da ficha técnica que responde a isso se chama "Com saída". Se estiver marcado como não, o aparelho só funciona recirculando, mesmo que o título do anúncio traga a palavra exaustor. Procure esse campo antes de olhar qualquer outro número.

Vale dizer o que isso não significa: depurador não é aparelho ruim. Em apartamento sem possibilidade de furar a parede, ele é a única opção viável, e reduzir o cheiro de fritura já é motivo suficiente para ter um. O problema é comprar um esperando o outro.

2. Vazão não é a mesma coisa que sucção

A vazão em metros cúbicos por hora é o número que os anúncios destacam. Sozinho, ele engana.

A conta usual para dimensionar é: área da cozinha × pé-direito × 10 renovações por hora. Uma cozinha de 6 m² com teto de 2,70 m pede cerca de 160 m³/h com duto instalado. Como os modelos comuns declaram entre 210 e 550 m³/h, o número raramente é o gargalo.

O que limita na prática é onde o ar entra. Vários aparelhos concentram a abertura de sucção numa grade retangular no centro do corpo, com as laterais fechadas. O resultado é previsível: o que sobe da panela no meio do fogão é recolhido, e o que sobe das bocas das pontas passa ao largo. Vazão alta com boca estreita não recolhe mais área, apenas puxa mais rápido no mesmo ponto.

Atenção antes de comprar, procure a foto do aparelho visto por baixo. Se a área aberta for um retângulo pequeno no meio, ele vai recolher só o que estiver embaixo dele. É a diferença entre a gordura ficar no filtro e ficar no armário de cima.

3. A largura tem que bater com o fogão

Regra simples, quase sempre ignorada: o aparelho precisa ter pelo menos a largura do fogão.

Os modelos de 60 cm servem para o fogão de quatro bocas. Para o de cinco ou seis bocas, 80 cm é o mínimo. Escolher o menor porque encaixa melhor no vão do armário deixa descobertas justamente as bocas das pontas, que são as mais usadas quando se cozinha para a família.

Vale conferir também a altura de instalação. O manual costuma pedir entre 65 e 75 cm acima da boca do fogão. Mais alto que isso, o vapor se dispersa antes de chegar; mais baixo, o calor da chama castiga o aparelho e atrapalha o manejo da panela.

4. O barulho que ninguém mede antes

O ruído é o segundo assunto mais citado nas avaliações desta categoria, atrás apenas da sucção, e é o que menos aparece nas fichas técnicas.

Onde o dado existe, esses aparelhos declaram entre 65 e 68 decibéis na velocidade máxima. Para comparar: 65 dB é aproximadamente o volume de uma conversa em voz alta. Numa cozinha integrada à sala, isso significa não conversar enquanto o aparelho estiver no três.

O padrão que os relatos descrevem é usar a velocidade intermediária no dia a dia e guardar a mais alta para a fritura. Se a sua cozinha é aberta para a sala, vale considerar isso um critério de escolha e não um detalhe.

5. Confira o corpo antes de assinar

Aqui há um padrão que não se repete nas outras categorias analisadas no site: chapa amassada, arranhada ou já enferrujada na entrega. Aparece em modelos de marcas diferentes, e a causa citada nos relatos é sempre a mesma, embalagem sem proteção interna contra impacto.

O problema é o encadeamento. Esses aparelhos são de parede ou de embutir, e a instalação costuma ser contratada à parte. Descobrir a avaria com o instalador já em casa custa duas vezes.

Duas conferências valem os dez minutos que tomam. A primeira é o corpo: abra a caixa antes de assinar o recebimento e olhe a chapa nas quatro faces. A segunda é o kit: parafusos, buchas, suportes de duto e a manta de carvão aparecem faltando com frequência, e sem eles a instalação para no meio.

A ordem de decisão

Comece pelo campo “Com saída”, porque ele determina se o aparelho tira o ar de casa ou apenas o filtra, e é essa diferença que gera quase toda a frustração da categoria. Olhe a área de sucção na foto por baixo, não só a vazão do título. Confira a largura contra o fogão, lembrando que as bocas das pontas são as que ficam descobertas. Considere o ruído se a cozinha for aberta para a sala. E abra a caixa no recebimento, conferindo chapa e kit de instalação antes de assinar.