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Como escolher uma centrífuga de roupa: o que realmente importa

Analisamos 12.022 avaliações desta categoria. A queixa mais repetida, o aparelho saindo andando pelo chão, quase nunca é defeito: é a roupa mal distribuída no cesto.

Por Diogo Valentim · Publicado em 25 de setembro de 2026 · Atualizado em 25 de setembro de 2026

Centrífuga de roupas com carga superior em área de serviço

1. Os 15 kg não são de roupa seca

É a maior fonte de frustração desta categoria, e ela está resolvida dentro da própria ficha técnica, em dois campos que ninguém compara lado a lado.

Todos os modelos analisados anunciam 15 kg no título. Todos declaram, na mesma ficha, capacidade de 5 kg de roupa seca. Os dois números estão certos e medem coisas diferentes.

Os 15 kg são o peso da roupa molhada, encharcada de água, que é a carga que o motor e o eixo suportam girar. Os 5 kg são a roupa seca, e é esse número que diz quanto cabe no cesto quando você vai carregar.

É daí que vêm as avaliações de quem comprou esperando lavar edredom e descobriu que duas calças jeans enchem o tambor.

Dica antes de comparar preço, procure na ficha o campo "capacidade em peso de roupa seca". Se o anúncio só mostra o número grande do título, desconfie: nesta categoria, o número grande é sempre o da roupa molhada.

2. Ela vai trepidar, e isso tem conserto

A queixa mais repetida da categoria é o aparelho vibrando, pulando e saindo andando pelo chão. Na maior parte dos casos não é defeito: é física.

A centrífuga gira o cesto a alta rotação. Se a roupa estiver amontoada de um lado, esse peso desbalanceado empurra o corpo do aparelho a cada volta, e quanto mais rápido gira, mais forte o empurrão. É por isso que as mesmas avaliações trazem, lado a lado, quem diz que a máquina anda pela lavanderia e quem diz que ela gira em silêncio.

A diferença entre os dois relatos é como a roupa foi colocada. E há uma técnica, que aparece descrita por vários compradores:

Atenção trepidar é normal; bater é sintoma. Se o cesto encosta nas laterais durante o giro, ou se a vibração continua com a carga bem distribuída, o suporte do tambor pode ter cedido, e esse é o defeito que leva o aparelho para a autorizada.

3. Cesto de plástico ou de inox

É a diferença de construção mais visível entre os modelos, e ela aparece com o tempo, não na primeira semana.

O cesto de plástico é mais leve e mais barato de fabricar, e é o que trinca e mancha com o uso e com a umidade permanente da lavanderia. O cesto de aço inoxidável resiste melhor ao atrito das peças e não absorve odor.

Nos modelos analisados a diferença de preço entre um e outro é pequena, o que torna essa escolha simples de fazer.

Vale olhar também o suporte do tambor, que a ficha raramente detalha. Nas avaliações aparece o eixo cedendo com carga máxima e o cesto passando a bater nas laterais, e é esse o defeito estrutural que mais leva centrífuga para a assistência.

4. Centrífuga não é secadora

As duas são vendidas no mesmo lugar, têm formato parecido e fazem trabalhos diferentes. Vale saber antes, porque a compra errada aqui não tem conserto.

A centrífuga apenas gira. Ela expulsa a água por força centrífuga e devolve a roupa úmida, pronta para o varal, em três a cinco minutos. Consome cerca de 180 W, menos que um ventilador.

A secadora aquece. Ela evapora a água e devolve a roupa seca, pronta para dobrar e guardar, em uma hora ou mais. Consome em torno de 2.000 W, na faixa de um chuveiro pequeno.

Quem mora em apartamento sem varanda e quer a roupa pronta para guardar precisa de secadora. Quem tem onde estender e só quer encurtar o tempo de varal, gastando pouca energia, quer uma centrífuga. Não existe centrífuga que seque roupa, por mais tempo que fique ligada.

5. Voltagem e o lugar onde ela vai ficar

Dois detalhes práticos que só aparecem depois da entrega.

A voltagem. Os modelos analisados são vendidos apenas em 127 V, e há relatos de compradores ligando em 220 V por engano e precisando comprar transformador depois. O aparelho não avisa, e a etiqueta é pequena. Confira na página da loja antes de fechar.

O piso. Como a centrífuga trabalha desbalanceada por natureza, ela precisa de chão firme e nivelado. Sobre madeira flexível, piso irregular ou tapete, a mesma carga que ficaria parada em outro lugar faz o corpo caminhar. Se o único lugar disponível não é firme, uma base de madeira grossa apoiada no chão resolve mais que qualquer ajuste no aparelho.

A ordem de decisão

Comece pelo campo roupa seca da ficha, porque é ele que diz quanta roupa cabe. Aceite que o aparelho trepida e aprenda a distribuir a carga, que é o que separa os relatos bons dos ruins. Prefira cesto de inox quando a diferença de preço for pequena. Confirme que você quer uma centrífuga e não uma secadora. E reserve um piso firme e nivelado antes de a caixa chegar.