A instalação elétrica vem antes do preço
É o que separa um cooktop de indução de qualquer outro eletrodoméstico da cozinha, e quase nenhum anúncio explica. Um modelo de quatro bocas declara 7 kW, e isso não vai em tomada: pede um circuito exclusivo, saindo direto do quadro, com fio de 6 mm² e disjuntor bipolar, exatamente como um chuveiro elétrico. Compradores que já tinham essa infraestrutura descrevem a instalação como tarefa de uma tarde; quem não tinha soma o serviço de um eletricista ao valor do aparelho. Os portáteis de uma boca são outra história: 1,1 kW a 1,2 kW ligam em tomada comum, e é por isso que fazem sentido em casa alugada. Antes de comparar modelos, decida se a sua cozinha comporta o de embutir.
Suas panelas podem não servir
A indução não aquece a superfície: ela cria um campo magnético que aquece o FUNDO da panela. Se o fundo não for ferromagnético, nada acontece, e o aparelho simplesmente não liga. Alumínio comum, vidro, cerâmica e boa parte do inox leve ficam de fora. O teste custa nada e resolve a dúvida: encoste um ímã de geladeira no fundo da sua panela. Se grudar com firmeza, ela funciona. Se não grudar, você vai precisar trocar o jogo, e esse custo entra na conta da compra. É daí que vêm as avaliações de gente dizendo que o aparelho chegou e não reconhece nenhuma panela.
O calor é concentrado, e isso muda o jeito de cozinhar
Quem vem do gás encontra uma diferença que não está em nenhuma ficha. No fogão, a chama envolve o fundo e as laterais da panela. Na indução, o calor nasce numa zona circular do fundo, e o que estiver ali gruda e queima mais rápido do que a pessoa espera. É por isso que aparecem avaliações dizendo que o alimento queima com facilidade extrema. Não é defeito: é potência entregando no ponto certo. Na prática, cozinhar em indução pede níveis mais baixos que os do gás, panela de fundo grosso e mexer mais no começo. Em compensação, o que a mesma concentração entrega é velocidade: fervura em uma fração do tempo.
Níveis de potência e o ruído que ninguém conta
Dois campos práticos para comparar. O número de níveis diz quanto controle você tem: oito, nove ou dez degraus entre o mínimo e o máximo, e quanto mais degraus, mais fácil acertar um refogado sem queimar. O ruído não está em campo nenhum e aparece muito nas avaliações: a bobina de indução zumbe enquanto trabalha, e nos portáteis esse zumbido vira apito agudo nas potências altas. Um dos modelos analisados é descrito como utilizável apenas até o nível seis por causa disso. Some o bipe do painel de toque, alto o bastante para incomodar em casa com gente dormindo.
Trava, calor residual e temporizador
Três campos de segurança que aparecem na ficha e custam pouco a mais. A trava de segurança bloqueia o painel de toque, o que importa em casa com criança, já que a superfície lisa convida ao toque acidental. O indicador de calor residual acende enquanto o vidro ainda está quente depois de desligado, e é ele que evita a queimadura mais comum da categoria, porque a superfície não fica vermelha nem tem chama para avisar. O temporizador desliga a zona sozinho. Vale conferir os três na ficha, porque modelos da mesma faixa de preço divergem: entre os analisados, um traz trava e temporizador e outro não traz nenhum dos dois.